
“A Sociedade é machista”. Essa frase é ouvida com muita freqüência em nosso meio para registro e para lembrança do quanto a humanidade perdeu e tem perdido ao relegar para o segundo plano a importância da mulher na sociedade, no lar e na história.
Ao reverenciarmos o Dia Internacional da Mulher é oportuna a reflexão da opressão sofrida e que ainda sofre a mulher em todos os quadrantes da terra, e dos motivos de ficarmos inertes e passivos com a violência, em todas as suas formas: discriminação, agressão, opressão, descaso, etc.
Os meios de comunicação nos dão conta da discriminação que ocorre no trabalho, quer na contratação quer na remuneração feminina. Segundo dados do IBGE, em nosso país, as mulheres são a maioria da população e ao mesmo tempo, a minoria entre os trabalhadores ocupados. O seu rendimento equivale a 70% do recebido pelos homens com a mesma escolaridade. As delegacias da mulher já não dão conta de atender as inúmeras queixas que são registradas por todo o tipo de agressões: a cada centena de brasileiras, 15 vivem ou já vivenciaram algum tipo de violência doméstica, segundo a pesquisa DataSenado, de 2007. Apesar dos avanços da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) que contemplou os principais tratados e convenções internacionais, os obstáculos para colocá-los em prática ainda são muitos. As inibições que oprimem por ações ou omissões físicas, econômicas ou psicológicas são notadas, mas pouco reprimidas, no dia a dia. Até a história sagrada aponta circunstâncias em que a mulher não era contada, não tinha expressão na multidão, mas revela a importância da sua presença em vários momentos da vida de Cristo, no Novo Testamento e como líderes marcantes no Velho Testamento.
Nos últimos cem anos, porém, os avanços foram significativos. A mulher passou a poder praticar atos de comércio, votar e ser votada e assumiu funções relevantes na sociedade ao se empenhar na luta pela subsistência própria e da família. Hoje ela está presente em todos os setores da sociedade. Mas falta muito mais.
A versão mais aceita para marcar o Dia Internacional da Mulher é a que aponta para a ingente luta feminina buscando melhores condições sociais em comparação às dos homens, como exemplifica o fato de uma centena de mulheres, que trabalhavam em uma fábrica têxtil de Nova Iorque nos Estados Unidos, em 8 de março de 1857, terem sido mortas, queimadas, ao postularem seus direitos.
Hoje ainda, muitas mulheres morrem “queimadas” pelo fogo da opressão, da agressão e da discriminação. São perdas que a humanidade não poderá jamais reparar.
Enquanto pudermos, o Dia Internacional da Mulher deve servir menos para darmos flores e bombons para as mulheres de nossas vidas e mais para refletirmos e pensarmos naquelas que ainda não são contadas como cidadãs, nem obtiveram sua merecida dignidade e seu justo reconhecimento, quer vivam ao nosso lado, quer vivam nos confins do planeta.